Ganda Ordinarice

Desabafo bem intencionado e imagético sobre o Salão Erótico de Lisboa.

domingo, setembro 02, 2007

O CHEIRO DOS BALNEÁRIOS




Embora vos possa parecer estranho, as necessidades da tartaruga Cornélia (a quem fiquei grato pelo apoio na secção de agradecimentos do meu livro “Fado, Futebol e Farpas, uma aventura psicadélica”, lançado na Casa Fernando Pessoa, o que levou o “Expresso” a dizer que até já livros sobre futebol eram lançados na domus onde o Fernando António viveu) e os aniversários dos amigos são perigosíssimos para a minha saúde financeira.

Este raciocínio tão linear e fácil de compreender poderá passar por complexo a uma mente menos esclarecida. Para essas mentes, sem qualquer ofensa e com todo o meu respeito, passo a explicitar.
Tive de ir ao Colombo comprar comida para a minha tartaruga listradinha de verde e amarelo (é adepta do West Bromwich Albion, de Londres). Não havia o Aquatart, de maneira que só comprei Tartsal e uns stiques vitamínicos. E aproveitei para brincar com um Pinscher miniatura que desafiei a dar-me umas dentaditas no dedo mínimo. O bichinho não se fez rogado. Foram uns momentos de folia e ternura.

Se me metesse no Metro logo a seguir, tudo bem. O problema é que se está a aproximar o aniversário do meu amigo Evónio (www.joaquimevonio.com). E o Evónio merece tudo, começando por presentes de aniversário com estilo. Sendo assim, como está quase a ser o aniversário dele, sempre digo que comprei um livro do Onésimo Teotónio de Almeida e um CD da Marta Hugon. Não estou a revelar os presentes antes do tempo. Não digo qual é a obra do Onésimo nem o CD da Marta!
E 3 de Setembro está aí à porta!

(Estou a ouvir “It´s raining again”, dos Supertramp. Chamem-me velho, mas isto é que era música).

(Já agora, para ver se não me esqueço, parabéns ao meu primo Elói, dia 2 de Setembro, e ao Rui Cartaxo e ao Salviano, neste 31 de Agosto)

Se me metesse no Metro logo a seguir, tudo bem. Mas não. Estúpido, tive de ir ver se havia novidades porno na Worten. E toca lá a comprar seis DVD, na casa dos 15 euros cada. E mais uns Simpson muito baratos.
Quer dizer: aguentei-me que nem um leão no Salão de Portimão (só comprei um DVD) e depois espalhei-me ao comprido, todo redondinho, na Worten.


Bem, mas não se perde tudo. Aos heróis que chegaram a esta parte do post, não viram só as imagens e saltaram para outro post (parabéns, seus valentes!) confidencio que tenho uma pequena recensão literária para fazer, em tempo de conjecturar sobre a sorte das equipas portuguesas na Europa do futebol.


O filme chama-se “Sexo no futebol” e é um DVD da Private, da série Private Sports. Em Portugal com a etiqueta HotGold (www.hotgold.pt).

As estrelas femininas principais não são muito conhecidas. Podem considerar-se valores em ascensão. Jovens que se estão a destacar neste período de transição entre os juniores e os seniores: Cindy Lords, Cory Beby (bébi um copo à minha saúdi, ó chavala!), Cristina Bell (muito boa nas chamadas para Tóquio), Lisa Sparkle (que até dá faísca) e Victoria Swinger (que não esteve na secção de swing do Salão de Portimão, nem consta que percebesse de finanças, tivesse biblioteca ou gostasse da música de Glen Miller).

A Victoria é a menina que eu conheço melhor. Bonita, com um olhar grande, arrasador, como se estivesse apaixonada pelo João Garcia no exacto momento em que ele espeta a bandeira em mais um cume vencido. Eu disse (escrevi) cume. CUME!

Numerosos motivos de interesse tem este DVD, para além da habitual produção cuidada da Private. O sotaque das meninas (e dos meninos) a falar inglês é uma coisa muito divertida. Na secção de extras, temos os habituais cantinhos para o trailer — ou filme-anúncio, se forem puristas da língua — o making of, o cast, as fotos dos bastidores (que são o backstage photobook), as notas de produção e os trailers de outros filmes, o chamado “Other Titles” (conde, barão, visconde, duque, etc). No caso, os filmes “Casting X nº 30”, “Maid to be laid”, “Private Life of Mercedes” (atenção, não é um documentário sobre a história das viaturas teutónicas. Conhecem aquela do Samora Machel e do ponto de mira com o símbolo do Mercedes?), “Reality 24” (sobre as dimensões do meu pénis) e “Dream Girls in St. Martin” (sobre as raparigas de sonho que gostam de beber água-pé e comer castanhas no dia de S. Martinho do Porto).

(Ena pai, olha o que chove, o disco chegou ao ‘My kind a lady’. Uma vez fui ver “A Missão” ao cinema Mundial, com o meu amigo Mestre, de quem sou padrinho de casamento. No final, enquanto esperávamos que a malta abandonasse as cadeiras do 1º balcão, passa à nossa frente uma miúda fabulosa, acompanhada do namorado. Não resisti. Pus-me a trautear o ‘My kind a lady’. O Mestre mandou-me calar, o namorado deitou-me uns olhares de fogo e a miúda sorriu. Depois saímos e fomos beber um copo com o Robert de Niro ao ‘Hipopótamo’, depois dele tirar a armadura e tomar um duche)

Onde é que eu ia? Ah! sim. Estava a falar de futebol.
Bem, este é um filme sobre futebol e o cheiro dos balneários, com o discurso dos treinadores e uns pedacitos em que até se vêem (e vêm) as estrelas porno a jogar. Em alguns momentos com mais nível do que a Liga Portuguesa. Desafio o Rui Santos a falar sobre isto na SIC Radical ou a dissertar na última página do Record.

(Pá, gramo as tuas gravatas, mas há cada vez mais gajos a odiar-te. Sabes porquê, pá? Dá-me uma telefonadela. Li em qualquer lado que eras um craque dos matrecos e do snooker e do pingue-pongue, lá em tua casa. Gostava de confirmar. Podíamos fazer um triatlozito).

Bem, embora lá acabar isto. Sou mesmo muita estúpido. Até parece que não estou todo estoirado e gosto de rebentar com a saúde. Andar a mamar bicas e Coca-cola para me lixar a úlcera. Depois tomar bombas para dormir. Para quê? Ao serviço de quem? Armado em paladino do Verde Eu-Fêmea?

(É verdade, gostava de perguntar ao Gualter se continua a ser politicamente correcto usar a expressão: ‘És boa com’ó milho. Enfiava-te a maçaroca toda por essa espiga’)

Agora é que é, tudo seguidinho até ao fim, para ir tomar uma banhoca de espuma e dar uns stiques vitamínicos à tartaruga, que já deve estar a olhar para o relógio.


(“Estou mesmo a ver. Aquele cabrão pôs-se a escrever posts para o Ganda Ordinarice e eu que me foda com o pequeno-almoço. Ganda filho da puta. Ao menos que me ligasse a TV no Eurosport, para estar entretido. Não, o idiota perde montes de tempo a escrever sobre pornografia e salões eróticos. E depois ainda o insultam. Gajas da organização, donos de lojas, o diabo a sete. É muita bem feito, para não ser parvo”).

Será desta? Pronto. Carrega no botão, velocidade vezes 60. Na cena 5 há uma gaja fabulosa a mamar na sarda de um senhor de cor (que já conheço de outros filmes) que se chama Vladimir Pacenko (no filme); há equipas femininas que se chamam Lokomotiv 80 e Stardust, há resultados emocionantes de 3-2, há corrupção, há figurantes nas bancadas que são bonecos virtuais (eu sou águia, topei logo!).

Eh! pá, eu acho que vale a pena. Que são 15 euros bem gastos. Mas claro que vale mais comprar o último álbum do Lucky Luke, se não se puder comprar as duas coisas.

E o filme ainda tem um extra apetitoso: o trailer especial de “Sex Angels”, uma grande aposta da Private, que eles apelidam de “blockbuster”.



“Três de espadas, três segundos para arrombar o cofre, the most sensacional movie of the year. Três anjos”.

São elas Mya Diamond, Sandy Style, Jenifer Dark. Porrada, sexo, tudo comme il faut, senhores ouvintes. À la James Bond, com gajas a esquiar pela pradaria e o Michael London a bater palmas.

Olha, já são 7 e 30 da manhã.

(“Ó palhaço, quando é que me serves o pequeno-almoço? Foda-se, pelo que eu pago merecia caviar. Estou a ver que tenho de te aviar. O que vale é que quando fôr mais grande vou para um lago na casa da tua prima, na Praia da Luz, ó meu ganda cabrão. Primeiro é o trabalho, as responsabilidades com os animais de expiação. Depois é que é a brincadeira. Olha, para já, confessa lá que te masturbaste antes de começar a escrever a recensão. A minha única dúvida é saber qual foi a cena. Deve ter sido a cena 5. Falaste dessa, deve ter sido. Pensas que me enganas? Tu perdeste aí dez segundos a espreitar o filme e depois escreveste qualquer coisa. És estilo Professor Marcelo, a apresentar os livros. Temos aqui um romance e este é poesia e este é de viagens, é muita bom e o Borg era um produto do trabalho, fora-de-série mesmo era o Ivan lendl e eu disse isto uma vez no court central do Estoril Open e o Luís Graça estava à minha frente e ia caindo da bancada e eu fui professor do Luís Graça em Direito e por acaso até dei uma aula em pleno court central”).

Já acabou o post?
Já. E tive de cortar mais de metade, para caber dentro do computador.

O meu amigo Fernando Grade diz que eu tenho uma imaginação feroz. É mentira. É tudo da droga.

(Já falei de um cão, agora estou a ouvir um gato. Gato Barbieri, do álbum “Caliente”. Sinto-me imortal)



Fim de citação? Não. Fim de criação. Por agora. Já basta.
Basta de miséria. Basta de fome. Basta de guerra. Basta de pornografia. É uma vergonha que blogues como este se refugiem no conceito de liberdade de expressão para existir.

(É fácil calar-me. Paguem-me um mês nas Bahamas e depois venham todos os dias aqui ao blogue a ver se há mais posts. O Barbieiri a cantar “Adentro! Yá!”. E o sax e as guitarras...já vou, Cornélia, já vou. E depois ponho o banhinho de espuma a correr. E faço um ménage com o Lopes e o Mamede. É tão bom pôr um banhinho a correr. E por acaso corri com o Mamede dia 18 de Março. Atravessei a Ponte sobre o Tejo (Ponte Salazar? Ponte 25 de Abril? Nem uma nem outra. Ponte sobre o Tejo. Assim é que é) a pé. Senti-me tão só. Éramos 40 mil.

Bem, vou contar só mais uma...
Não vou nada, era a brincar.

(“Ó estúpido, dá-me lá os stiques. E uns camarões Gammarus e uma imperial bem tirada, que a de ontem veio toda morta. Pensas que enganaste alguém com a piadinha? Então as pessoas não viram logo que o post estava a acabar? Foda-se, este gajo...”)



ESTE POST FOI PATROCINADO PELA “Tartaruga para exteriores”, “Tartaruguinha para interiores”. Eu cá não sou de meias-tintas.

Dick Hard, 31 de Agosto de 2007




Auto-publicidade Poético-erótica

4 Comentários:

  • Às 4:01 da manhã , Anonymous Rui Cardoso disse...

    Por acaso já vi esse filme... o sexo no futebol.

    Acho-o muito parecido à realidade portuguesa só que, após as primeiras cenas, vi que era mesmo idêntico à realidade nacional; 15 minutos de visualização, ecran sujo, desliga o televisor e limpa o ecran...
    Um nojo!

    No fundo começo a preocupar-me comigo - o sexo e o quotidiano levam-me sempre quer por uma ou por outra razão a conspurcar o ecran.

    Devo ter de voltar a tomar as gotas em breve... amanhã vou consultar novamente o meu psiquiatra.

    Boas trinchadelas e, cuidado com o rolo na aplicação da pintura.

     
  • Às 4:15 da manhã , Anonymous Luís Graça disse...

    Meu caro Rui:

    Estou a ficar sensibilizado com tanto desvelo. Vir ao meu blogue até ao domingo é uma militância que me toca profundamente.

    Tal como me toca a capacidade técnica e a generosidade dos meus amigos designers. Eles (e elas, que a minha equipa é mista, queijo e fiambre) já tinham os dados todos para postar, mas aquela de eu aparecer em cima da tartaruga é do caraças.

    A capacidade técnica da montagem não me surpreende. Eles estão fartos de dar provas disso. Encontrar a tartaruga também não deve ser difícil. Estou intrigado é com a minha carinha. Porque não me parece que tenha sido tirada da minha declamação na Casa do Alentejo, em 1966. Como feliz proprietário do "Erecções", até podes confirmar, que está logo a abrir o bloco de fotos. Olha, eu vou fazer já isso mesmo.

    Já vi. Acho que não é daí. A minha cabeça está para baixo e não dá mesmo para inverter a imagem, pese embora toda a magia deles.
    Estou curioso. Onde é que eles foram buscar aquilo?

    A esta hora devem estar a curtir, com a minha curiosidade.

    Quanto a pingos, acabei de pôr uns 30 de Vitart no tanque da tartaruga. São as vitaminazitas. "Ela agradece", disseram as meninas da loja do Colombo, que são muito simpáticas e minhas fãs.

    Para variar, estou com mais uma "directa" e todo feitinho num oito. Ontem estiveram uns amigos em minha casa, de madrugada, a cumprir promessa antiga: visitarem aqui o Ganda Ordinarice, que há uns que só têm Net no emprego e não dá para visitar este blog com calma. Também não percebo muito bem porquê.

    Quanto ao Rui Santos, o desafio é mesmo a sério.Gostava de ir à quintarola dele fazer esses jogos todos. E sou muito bem capaz de só o aviar em pingue-pongue, pelo que consta.

    Tenho um amigo, o João Paulo, que é o segundo maior craque de matraquilhos que eu conheço. O primeiro é o Miguel Valle de Figueiredo, editor fotográfico do tempo da fundação da Volta ao Mundo.

    Grande abraço, pá. Aparece sempre.

     
  • Às 5:34 da manhã , Anonymous Rui Cardoso disse...

    Vou aparecendo pois...

    E já agora, aqui te deixo um pequeno considerando... muda de after-shave pois olha que esse Old Spice está mesmo out...

    Experimenta este que eu compro online... é um must e, acho que é mesmo apropriado para o Dick Hard:

    http://www.smellmeand.com/index_2.html

    É um espectáculo... :-)

    Ah outra coisa; para o snooker estou cá eu agora - sou um mestre com o meu pau na mão - quanto aos matraquilhos... as unicas virolas que faço é ao meu propucio, isto quando apanho daquelas putéfias incompetentes que, inocentemente julgam que "desabrochar" é tirá-lo da boca...

     
  • Às 6:31 da tarde , Anonymous Luís Graça disse...

    Para o snooker podemos ir dar umas bolas ao Snooker Clube. E queres saber de uma coisa? O meu número de sócio, de quatro algarismos, deu igual ao número de sócio de uma sex-shop, há uns 15 anos.
    Extraordinária coincidência, mas não joguei na lotaria.

     

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