Ganda Ordinarice

Desabafo bem intencionado e imagético sobre o Salão Erótico de Lisboa.

domingo, julho 01, 2007

Contos do Dick Hard - II

DICK HARD E A MENINA QUE SE MASTURBAVA COM O ACTION MAN DO PRIMO ZEQUINHA

Ritinha era proprietária de uma idade de 8 anos. Em bom estado de conservação sexual, apesar de já não ser virgem. Mas não fazia ideia disso. A membranazita emigrara com D. Sebastião numa manhã de nevoeiro.

Não se sabe bem porquê, nem doeu muito. A autora do infantil desfloramento chamava-se Barbie e tinha um relacionamento estranho com Ken. E foi Ken, de cabeça, aos 43 minutos, que a Ritinha enfiou na sua grutazinha rosada e suave.


Os anos foram passando e estava Ritinha a atravessar aquela ponte dos 13 para os 14 quando o seu primo Zequinha (11 anos) veio assentar arraiais no lar aprazível da menina. Os pais de Zequinha foram trabalhar para uma plataforma petrolífera na Nigéria e deixaram Zequinha no país de origem.


Zequinha ficou afectado e cortou abruptamente o seu relacionamento afectivo com Bibi. Mas certos hábitos tinham-se-lhe entranhado no ânus e o petiz supria as carências com investidas de Cindy em marcha-atrás.
Cindy, por seu turno, estava a atravessar um período muito confuso na sua vida. Falhara uma oportunidade de emprego única: Relações Públicas na firma “Gepeto S.A”. Talvez a nível subconsciente fosse atraída pelas mentiras de Pinóquio e sonhasse sentar-se em cima do seu nariz.


Mas Pinóquio também estava a atravessar um período difícil. Numa estúpida confusão de narizes com Cyrano de Frère-Jacques-Sonne-les-Matine-do-Benfica-e-do-Estrela-da-Amadora ficara ferido no supracílio esquerdo e nunca mais conseguira franzir o sobrolho à homem da Martini. Ele bem passava os dedos pelos beiços, mas não era a mesma coisa.





Bem, o conto já vai longo e Dick Hard ainda não fez a sua aparição, com características bem diferentes das aparições de Fátima. O atraso é, no entanto, facilmente explicável. O seu Lotus Europa rosa estava no mecânico, com um problema nas platinadas (Maria Linda Monroe e Gina Harlow).


E sendo assim as cousas, Dick tivera de pedir emprestada a BFT (Bicicleta-Fode-o-Terreno) do seu amigo Eleutério Amparo. Eleutério já tinha sido um ciclista famoso em Elvas, tendo mesmo ensinado a bater à punheta ao concorrente alentejano que deu “show” e sémen na ExpoFoda. Depois, uma arreliadora lesão (as lesões são sempre arreliadoras nos jornais desportivos: “Ai queres recuperar rápido? Não vais conseguir. E vou-te foder as férias nas Caraíbas, só para te arreliar”) atirou-o para um sanatório que tinha uma montanha mágica por trás.


O sanatório era um local estranho: assumia-se como um sítio onde se curavam tuberculoses; havia cerveja servida à depressão e um centro de dia dos Atónitos Anódinos.
--- Que Thomas, man? --- era a frase preferida de um sujeito que tinha a mania que era Napoleão mas inventara uma interessante variante masturbatória de “bilhar de bolso”: usava a mão entalada na braguilha aberta e um boné de beisebol com a pala virada para trás.

Mas adiante. Dick chegou de bicicleta a casa da Ritinha. Era amigo de longa data (trinta e um de Outubro de mil e novecentos e sessenta e dois, mais uns trocos) da família de Zequinha e prometeu dar apoio mural ao miúdo, quando o pequeno era cravado para caiar as paredes da casa rural da Ritinha.
--- Ó Zequinha, o menino não comprou a cal “Brandão”,como eu lhe disse.
--- Não havia.
--- Pronto, Zequinha, não pense mais nisso --- apaziguava a mãe de Ritinha.

(Mas a mãe da Ritinha ficava fodida, porque ela detestava a cal “Púrnia”. Isto da cal era como a mulher do Sérgio, não basta aparecer)




Mas adiante. Dick Hard chegou a casa da Ritinha, fez os cumprimentos da praxe e depois foi dar uma volta com o miúdo, obsequiando-o com um magnífico “Action-Man Metrossexual”, equipado com um fato da Cerrutti, peito depilado e cabelo louro à Herman José, mas em pelinho à escovinha, como o dos Action Man marines dos Anos 60 e 70.
--- Não havia o Action Man Escafodista?
--- Desculpa, Zequinha, o Action Man Escafodista arranjou um contrato de seis meses no Zoo Marine. Agora anda a foder a Lélia Póvoa de Santa Iria e tão cedo não volta.


--- Ó senhor Hard...
--- Ó Zequinha, quantas vezes já te disse para me tratares por Dick?
--- É muito difícil, senhor Hard.

(TRATAMENTOS LITERÁRIOS POSSÍVEIS COM OUTRA PONTUAÇÃO, MUDANDO COMPLETAMENTE O SENTIDO DA FASE AQUÁTICA DO ‘OMO SAPIENS’, O MELHOR PARA A SUA ROUPA APANELEIRADA:

--- É. Muito difícil. Senhor, arde.
--- É muito difícil. Senhor, arde.
--- É, muito difícil, senhor, arde
--- Hard como o caralho, mas aguenta-se )

--- Não é nada difícil.
--- Tá bem, prontos, ó Dick.
--- Sabes que na Holanda há imensos Dicks. O Dick Tracy, por exemplo, evita que os jogadores do Ajax emigrem todos de Amesterdão para os mares do sul.
--- Só conheço a Tracy Ulman.
--- Essa miúda canta umas coisas, mas é um diferente tipo de dique.
--- Não dá para trocar o “Action Man Metrossexual” por um “Action Man Manequim da Rua dos Fanqueiros”?
--- É muito difícil. Sabes que os “Action Man Manequim da Rua dos Fanqueiros” têm muita procura na época baixa pombalina.
--- Pois é. Isso recorda-me que tive um “Action Man Marquês dos Pombinhos”.
--- Exactamente, o padroeiro dos namorados, mais tarde substituído por São Valentim Calcanhoto Perlimpimpin.




E enquanto Dick Hard passeava com Zequinha, a noite caiu, mas não se aleijou, porque o presidente da Junta de Freguesia tinha mandado acolchoar o território e organizado acções de formação para malabaristas com dificuldade em concluir o mestrado em “Antropologia Erótico-Apologética do Mastoideu-Oeste, muda de linha no Entroncamento”.


Lá pelas 23 e 30 horas, com Zequinha já na cama, depois da sua dose religiosamente absorvida de reality shows e consolas station-wagon, Dick Hard montou na sua BFT e rumou a Lisboa com um pirilampo azul a girar em cima da cabeça, gamado a uma ambulância ambulatória, cuja equipa técnica tinha adormecido a seguir ao pesado repasto: dobrada como entrada, cozido à portuguesa e arroz de grilos com alegria acanelada.

Portanto, vamos fazer o ‘ponto’ da situação teatral do conto

(“Ser ou não ser, eis a questão”
O gajo ainda não decorou esta merda simples, como é que pretende ingressar no “Pepinos com Adoçante”?)

o ponto da situação: Dick Hard de regresso a Lisboa, Zequinha a dormir o sono dos sustos (a sonhar com filmes de terror com argumento de Estêvão Rei) e o “Action Man Metrossexual” absolutamente marginalizado e esquecido em cima da mesa da cozinha.

Ritinha entrou na cozinha aos saltinhos de “Música no Cu e muita ração”. Tinha visto Julita Andrews na pantalha gigante e ficara marcada para toda a vida.
Abriu o frigorífico, tirou um “Dan-Up-pela-Cona-Acima-Sabe-Tão-Bem-Alô-é-a-Vera?” e mirou o Action Man Metrossexual. Uma golada no Dan-Up, uma festinha nos cabelos do Action Man, a coisa foi-se complicando em termos de humidade nas regiões baixas, com possibilidade de conamolhosidade.









Ligou o rádio, despiu a camisa de noite, atirou um bocado de Dan-Up pela cabeça abaixo do Action Man e fez o que tinha a fazer, imitando sem saber com os seus gemidos os compassos iniciais da Sonata Super-Patética, o último grande êxito musical da “Diz-me Productions”.
Depois de ter atingido o seu orgasmo múltiplo mais conseguido da semana, olhou para o boneco e disse de si para si:
--- Olha, já que vim à cozinha, é só trocar uma letra e agora vai uma no cuzinho, que a noite vai alta e o Zequinha deixa os bonecos por todo o lado.
Ao pousar o boneco na mesa, inclinou-o de uma determinada maneira e o boneco imitiu um sorriso sonoro: “Dinis Maria, Dinis Maria, mandou plantar o pinhal de Leiria. Dinis Maria, Dinis Maria, mandou plantar o pinhal de Leiria”.

Foda-se, a indústria do brinquedo inventa cada uma, pensou a Ritinha. E deixou-se arrastar rapidamente para pensamentos sombrios na fase pór-orgásmica, do estilo:
“Já não tenho idade para brincar com bonecos. Está na hora de dar o grito do Maracanã e comprar um daqueles cor-de-rosa aí de uns 30 centímetros. Tenho lá culpa de ser menina com cona muito alimentícia?”

E foi-se deitar.


Pois é, por esta altura já estão a perguntar o que vai acontecer ao Dick Hard. Bem, não vou manter o suspensório. Até à saída da localidade, correu tudo muito bem, mas à passagem de uma curva perigosa, a BFT derrapou numa substância viscosa e Dick bateu com os cornos num pinheiro e emigrou para Desmaio City, ficando com o corpo meio na estrada, meio na mata.
Atrás de um pinheiro, um cicloterrorista de Elvas acabara de bater a sua terceira punheta do dia, atingindo pela terceira vez consecutiva a alcatroada estrada a precisar de remendos há muito tempo.

--- E isto não é nada. Foi tudo sem pastilhas. Havias de ver se eu tivesse Bradoral, Halls Mente-o-Litos, ou Vick!





Ao seu lado, ainda com as mãos a escorrer contentamentos de via láctea, uma carioca morena sorria com a satisfação do dever cumprido. O ciclista elvense ajeitou a sua cueca branca, montou na Honda Mini-Rail e arrancou a 40 à hora. Deu um estranho saltinho na estrada, ao passar por cima de um corpo estranho.

No outro dia, o senhor Hard acordou com uma penosa sensação de lhe terem passado por cima com uma Honda Mini-Rail, depois de ter batido com os cornos num pinheiro.

Luís Graça




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3 Comentários:

  • Às 9:47 da manhã , Blogger Geraldes Lino disse...

    Texto divertidíssimo e com muito humor. Aquela frase "Que Thomas, man?" faz jus à classificação que te dei de "Rei do Trocadilho". E, claro, por traz de cada trocadilho há sempre um bom caldo cultural.
    Abraço.

     
  • Às 9:48 da manhã , Blogger Geraldes Lino disse...

    Quando escrevi "por traz" queria escrever "por trás". Mera distracção, rapidamente detectada.

     
  • Às 4:44 da tarde , Anonymous Luís Graça disse...

    Caro Geraldes Lino:
    De ti, só poderia ser "gralha" e nunca erro ortográfico. Mas fizeste bem em corrigir, para quem não te conhece.

    Se gostaste deste conto, por certo vais gostar de outros.
    Este Dick Hard (Private Dick, ou Detective Privado, embora possa haver ainda outros jogos de palavras) é o herói do livro que a nova chancela da minha distribuidora vai publicar no Natal.

    Ai deles que não publiquem! O Jorge Deodato devolve-me logo o comboio que lhe dei como prenda de aniversário antecipada. Fomos buscar livros ao meu "depósito literário" e o Deodato ainda ganhou um presente de aniversário antecipado.

    Se falharem a publicação do livro no Natal vou a casa do gajo, agarro no comboio e dou-lhe com ele na cabeça.

    Ou então recambio-o para Viseu. Com esta ameaça (a segunda) creio que não há risco nenhum de falhar a publicação.

    Para a Feira do Livro de 2008 publicarei na mesma chancela "Sexo na Noite--- Diário Sexual de um escritor frustrado". Que é o livro incluso no link sexonanoite.

    Podem ir lendo tipo folhetim. Quando chegar o dia 4 de Dezembro de 2004 (eu escrevi o livro entre 1 de Outubro de 2004 e 31 de Dezembro de 2004) é que vão ser elas.
    Escusas de perguntar porquê. E os outros leitores também. Em privado digo-te.

    Apenas posso esclarecer que foi um dia em que o Benfica ganhou um jogo de hóquei em patins para as competições europeias, uma amiga minha lançou um livro, eu estava com uma "directa" em cima e...fui ver um espectáculo de sexo ao vivo...

    Hoje voltei ao local do crime (Snooker Clube). Estive a jogar sozinho e não perdi nenhum jogo enquanto tal aconteceu.

    Fiz-me sócio e já tenho cartão. Muita fixe, com Chuépes Laranja (agora não me lembro da grafia correcta da bebida, por isso sai assim e segue para bingo).

    Depois chegou um amigo que é o segundo melhor jogador de matraquilhos que conheço (o primeiro é o Miguel Valle de Figueiredo) e ganhei-lhe. Mas o rapaz tem condições de evoluir.

    Quem me viu ontem e quem me viu hoje!

    Ou a diferença de não estar no paleio e de ter bebido duas Guiness, uma bica dupla e duas Coca-Cola em vez de uma garrafa inteira de Monte Velho no espaço de 30 minutos.

    Havia migalhas de tosta mista no estojo do meu taco...

    Quando abri o estojo ainda fiquei um bocado intrigado. O que será isto?

    Sinto-me um bocado burguês por ter um taco especial e uma luvinha, mas também há tacos que custam dez vezes mais que o meu. Um gajo também tem o direito de ter um prazer na vida, não é?

    E sinto-me importante com o cartão do Snooker Clube.

    O amigo Almeida sabe fazer as coisas e é um anfitrião fidalgo.

     

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