Ganda Ordinarice

Desabafo bem intencionado e imagético sobre o Salão Erótico de Lisboa.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Vai um chouricinho?




Por acaso, gosto bastante de chouriço. Quando o meu avô Ayres Nunes chegava a casa com os petiscos, o momento era de particular veneração.
Velho lobo do mar, comandante da Marinha Mercante que não sabia nadar, era dado aos prazeres da mesa (como o pessoal do ténis de mesa) e do convívio.
Trazia para casa punhetas de bacalhau, caranguejos (que soltou no chão da cozinha, produzindo um curioso sapateado que deixou a empregada histérica e o cão aos saltinhos pelo meio dos simpáticos sapateadores), ostras, conservas e...o chouricinho.
Depois, era colocar o chouricinho no espeto, num recipiente especial, uma taça que tinha rodinhas e tudo. Embebia-se um algodão em álcool, largava-se o fogo e punha-se o chouriço a rodar, enquanto a chama azul me fascinava e o agradável odor do chouriço me ascendia pelas fossas nasais numa espécie de transe.
MAS ISTO VEM A PROPÓSITO DE QUÊ, POR AMOR DE DEUS!?!
Vem a propósito dos “chouriços” no ténis de mesa, géneros alimentares muito apreciados pelos mesa-tenistas que deles usufruem e particularmente odiados pelas vítimas.
É de bom tom e de boa educação pedir desculpa quando se “mete um chouriço” e não é considerado nada hipócrita o facto de o jogador chouriçador pedir desculpa com uma expressão culpada, apesar do seu coração estar a bater palminhas de contente dentro do peito.
O francês Damien Eloi proferiu alguns “Pardon” cheios de polidez. Há quem prefira levantar a mão e ficar em silêncio, gesto igualmente revelador de boa educação. É mais o estilo do Tiago Apolónia, um moço discreto.
Neste Portugal—França não houve muitos “chouriços”, para um encontro de duas horas e meias. Contam-se mesmo pelos dedos das duas “mãos”.
Mas há “chouriços” que deixam uma pessoa a pensar na vida.
Último jogo do Portugal—França. João Pedro Monteiro defronta Patrick Chila. É trucidado nos dois primeiros “sets”. Entra mal no terceiro. Recupera de 2-6 para 7-9. Depois empata a contenda nos serviços de Chila. A sala de Alvalade volta a acreditar. A assistência ao rubro. Monteiro vai servir. Pode reduzir para 1-2. Talvez Chila se enerve e o desgaste físico se possa fazer sentir.
E nessa altura, precisamente nessa altura, Chila “mete um chouriço” do tamanho da Sé de Lisboa. Ó Céus! Ó justos Céus!
Ainda na ressaca do “chouriço”, João Pedro perde o ponto seguinte e acaba-se o Portugal---França.
Porra para o “chouriço”!

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