Ganda Ordinarice

Desabafo bem intencionado e imagético sobre o Salão Erótico de Lisboa.

domingo, fevereiro 11, 2007

Pornografia cavalar




Acabou o primeiro módulo do workshop teatral com José Sanchis Sinistierra. O grupo de trabalho faz um almoço final na Casa do Alentejo. Acompanho a tradutora ao seu carro. Despeço-me.
Dirijo-me a casa. Passo à porta de uma sex-shop. Entro.
Visito-a com o ar tranquilo de quem passa revista às tropas. Ainda meio-zonzo de uma semana a dormir três horas por noite, dá-me para comprar um filme de zoofilia. Um filme com cavalos. Para fazer um post no Ganda Ordinarice.

Venho para casa ver o filme. Bloco de apontamentos na mão, caneta em punho. Depois de ver o filme, penso: mas para que é que eu me meto nisto? Depois penso mais ainda: agora já está. Sendo assim, o melhor é avançar mesmo com o post, para não deixar as coisas a meio.

“Os cavalos também se comem...”. Este é o inspirador título do filme. Diz na capa do DVD que é o volume 1 de “King of Animal”.
Começa o filme. Uma loura vai formosa pela verdura. Vai formosa e não segura. Não faço ideia se o nome dela é Leonor.
Pára. Estende uma manta no chão. Olha para o sol. Deita-se. Tira a saia.
Com 1 minuto e 33 segundos de filme o cavalo resfolega pela primeira vez.
A loura tira o top. Com 1 minuto e 48 segundos de filme está em nu integral.
Com 2 minutos e 24 segundos de filme começa a masturbar-se.
Suspense digno de Alfred Hitchcock: há três cavalos em fundo. Qual deles será a vítima da loura? Ou ela tomará a sábia decisão de proceder a uma geral à moda de Ascott ou Aintree?

Aos 7 minutos e 59 segundos nota-se que o cavalo revela uma certa agitação mangalhal. Em cena entra um dildo de cor rosa. A loura faz render o peixe. Começa por lamber o dildo. Se fosse comigo, também preferia lamber o dildo em vez do mangalho do cavalo.
Aos 8 minutos e 58 o dildo entra em acção.
Não se ouve o vento a assobiar nas gruas, mas sim na verdura.
O cavalo tem uma pinta rosa a meio da sarda. Deve ser para condizer com a cor do dildo.

A loura não tira o relógio do pulso, como o romano que se esqueceu de tão insignificante pormenor na cena da corrida de quadrigas do “Ben-Hur”.
Aos 21 minutos o cavalo revela a sua impaciência. Lá vai a menina na sua direcção. Som de arreios. Começa por fazer festas no dorso do cavalo. Os preliminares são importantes. Palmadinhas para acalmar o bicho. Um coice de um cavalo não é nada agradável.
Aos 22 minutos e 27 segundos pega no grosso aríete do equídeo e principia a masturbá-lo, sequência a que se segue o princípio de uma felação a 90 graus, sem introdução do cavalar mangalho na cavidade bocal, por manifesta impossibilidade ou falta de brio profissional.

Aos 24 minutos aparece um figurante a agarrar o cavalo, cumprindo a missão com insignificante rotina e de forma neutral. A loura lambe com jeitinho. Mas isto não acaba? Ganda seca.
Aos 28 minutos começa por engolir, mas só um bocadinho. É óbvio que não estamos em presença de uma grande produção.
Aos 39 minutos e 58 segundos roça-se à canzana.
Aos 40 minutos o cavalo ejacula, leva umas palmadinhas estilo “good boy, toma lá quadrado de açúcar”.
Aos 41 minutos e 48 segundos, um plano em contraluz.
Aos 59 minutos e 32 segundos, para culminar a sua fabulosa actuação, a menina loura mija.

A vida custa. Longe vão os anos em que Mister Ed brilhava; longe vão os anos em que Silver, o cavalo de Zorro (que não era Tonto), se empinava como o “cavallino rampante” da Ferrari; menos longe está o “Sea Biscuit”, o cavalo que brilhou nas “tracks” estado-unidenses e teve direito a longa-metragem de se lhe tirar o chapéu.

Quem quiser uma artigalhada deste tipo, mas com cães, pode dar um pulinho a www.sexonanoite.blogspot.com. O último post é assim do estilo. Palavra de honra que foi coincidência. Entre os dois posts existem centenas de dias de diferença.




O que vale é que saí da sex-shop com “Tenerife” (Férias sexuais), um filme do conceituado Alessandro Del Mar, com a conceituada Silvia Saint, já conhecida dos nossos leitores; e com “Natal Sexy”, dirigido pela antiga estrela porno Anita Rinaldi, protagonista principal em “Citizen Shame”, uma paródia porno ao filme de Orson Welles.

Rosebud...

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