Ganda Ordinarice

Desabafo bem intencionado e imagético sobre o Salão Erótico de Lisboa.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Contos do Dick Hard - XIV

DICK HARD NO “NACIONAL” DE SURF


Os anos começavam a pesar no bandulho precocemente acervejado de Dick Hard. Ele nunca tinha sido esquisito e as “loiras” muito cedo conquistaram um lugar no estômago do detective, com passagem breve pelo apeadeiro dos afectos.
Antigamente, quando ele era novo, ainda conseguia correr atrás de um adúltero, dar um par de sopapos numa puta reles, coisas assim, do banal quotidiano. Agora, os tempos eram outros. Já não se sentia homem para correr atrás de um “rebenta” em pleno Parque Eduardo VII. Até para apanhar um cisne precisava de estar inspirado. E o esturgido nem sempre lhe saía apurado.
Tudo isto para dizer que os anos passam e não se pode fazer nada. O tal PDI (puta da idade). Mas se a idade vai caminhando a passos largos, a “pica” ainda não faltava. Graças a Deus ou ao Diabo. Por isso, Dick atirava-se a todas as miúdas que pudesse. Era uma maneira de retardar o envelhecimento.
Clarimunda era uma namorada do mais improvável, uma “chavala” pescada na lota de Cascais. O pai era pescador e a miúda deu em surfista e puta amadora. Quer dizer, para além de foder o dinheiro que o pai ganhava com o sal do mar e o suor do corpo, fodia com todos os pescadores que pudesse. Era um bocado chato para o pai, que saía para o mar nas chatas em vias de extinção e apanhava conversas cruzadas entre a rapaziada:
— A filha do Peres é que tem boa boca...
— Isso não é garganta tua?
— Pelo contrário. É garganta dela.
Mas Clarimunda não era má rapariga. A sua generosidade de carnes estendeu-se ao meio do “surf” e era vê-la, qual tieta do agreste, a levar com os ventos frios do Guincho na tromba, a calcorrear timidamente as areias da Ericeira, a fazer-se às praias mais recônditas deste nosso querido Portugal. Um “bico” ao Chico Dingue-Dingue atrás de uma duna, uma canzana como manda a lei recebida a conta-gotas atrás de uma barraca das farturas em Azenhas-do-Mar, uma fodita à missionário quando o ânimo já não era muito e o pôr-do-sol estava de luas.
Dick sabia que a miúda não controlava muito as emoções e parece que as calcinhas lhe escorregavam pernas abaixo. Deixá-lo! Ele também não tinha um futuro radioso para lhe oferecer. Limitava-se a aproveitar o que a maré trazia. E Clarimunda era uma belíssima trancada, ora pois!

Sendo assim, Dick metia-se muitas vezes no Lotus Europa rosa-choque, a cair aos bocados, e ala até Cascais. Uns “shots” com a Clarimunda no John Bull, um peixinho nos restaurantes aprazíveis da cidade, uma punheta bem tirada num canto escuro, uns meles, uns beijos ou até uma pinocada clássica em casa da miúda, com o pai no mar atrás dos sargos. As sardas em terra atrás da miúda, a miúda atrás das sardas e o pai em pleno mar, armado em pargo, aos sargos.
Dick por baixo, Clarimunda por cima.
Ah! pois, a vida não está para grandes aventuras.
Dick deixava a miúda cavalgá-lo segundo as regras do manual da instrução primária e punha-se a olhar para o tecto e a pensar: “Já dei muito o cabedal. Ela que trabalhe. Logo à noite vou comer uma feijoada à transmontana à tasca do Nicolau”.
E foi assim que deu com ele em pleno “Nacional” de surf. Clarimunda tinha uma amiga colombiana que se tinha reformado de “mula” (havia concorrência como o caraças para andar a transportar droga no bandulho e três viagens bem sucedidas tinham-lhe dado um pé-de-meia jeitoso), naturalizara-se portuguesa e tinha uma carruagem-bar no Estoril. Para passar o tempo, dedicara-se ao surf. Ficava quase sempre em última, mas o surf era uma paixão e a vida corria bem. Todos os meses mandava umas massas para Bogotá.
Maria del Mercedes (“Cocas” para os amigos) era uma morena vistosa, de 28 anos. Boa de mamas, cu atrevido, tipo sextante a procurar sarilhos.Olhos muito negros, acarvoados, cabelos lisos e longos. Transpirava promessas por todos os lados.
Chegou ao Guincho com a prancha debaixo do braço e um sorriso de fazer inveja ao sol. Acabou a prova em penúltima, mas isso agora não interessa nada. A disposição não se alterou. Era gargalhada que até fervia, enquanto emborcava cerveja atrás de cerveja. A única coisa que a aborrecia era os chatos dos putos surfistas pensarem que ela tinha “produto”, só por ser colombiana.
— Vaya, tio! No tengo, puta madre, no tengo!
E não tinha mesmo. A Maria del Mercedes não era como os irmãos Dalton. Quando se reformava era mesmo a sério. Não era preciso o Lucky Luke atrás dela, para a meter na choldra.
Já o sol estava a dizer adeus, abraçado ao horizonte numa de fechar o expediente, seriam umas nove da noite que estava a chegar, Maria del Mercedes pôs-se a segredar risinhos para a Clarimunda, enquanto um burrié lhe arrefecia na mão lustrosa.

O bar “Surfa-me Neste, Leste e Oeste” era um local acolhedor e Dick estava pleno de calmarias. Era um belo final de domingo e no outro dia tinha uma vigilância a uma advogada que andava a meter os cornos ao amante com o marido.
Vai-se a ver, aqueles risinhos da colombiana não eram mais do que a elaboração de um plano de ataque. Começaram as duas a olhar para Dick, com matreirice. E ele a pensar: “Olha-m’estas”. De estômago aconchegado pelas cervejinhas, os burriés e os percebes, Dick nem estava assim a pensar em grandes festas, mas o que tem de ser tem muita força. O seu pai tinha-lhe dito, no dia da primeira comunhão: “Um português nunca se nega”.
E lá foram os três a caminho do mar. A colombiana pediu uma prancha emprestada a um amigo e Clarimunda levou-a. Maria del Mercedes seguia ao lado, com a sua prancha. Dick ia atrás, de mãos nos bolsos das bermudas e um panamá da Macieira na cabeça, a assobiar.
Fizeram-se ao mar com a noite quase a cair. Já não havia pranchas na água. Clarimunda e Mercedes subiram para uma prancha e montaram Dick na outra.
— Vá. Nada. Vamos para ali — disse Clarimunda, apontando uma zona mais calma.
Aquilo já estava a dar um bocado de trabalho e o senhor Hard não fazia surf há um testículo de tempo, mas pronto, está bem, só para fazer a vontade às miúdas. No regresso a terra previa-se festa, por isso não lhe custava nada ser educado.
Bem, a coisa afinal não foi bem assim. Quando estacionaram numa zona de calmaria, a colombiana passou para a prancha de Dick e mandou-o deitar-se de costas. Dick não percebeu muito bem qual era a ideia, mas aceitou. Eis senão quando, qual Neptuno, Clarimunda mergulhou. Nesse mesmo instante, Del Mercedes agarrou nas mãozinhas de Dick e meteu-as na água.
Dick não se perturbou quando se sentiu agarrado, porque imaginou que havia muito mais possibilidades de ser Clarimunda do que Jaws. Apesar disso, sentiu uma coisa a morder-lhe nos punhos e ouviu um “clic” bastante metálico. Puxou os braços e percebeu que estava algemado por baixo da prancha. Um momento de pânico. Sabe-se lá do que são as gajas capazes. Estavam bem bebidas. Não lhe apetecia nada ficar algemado de costas, à deriva, no mar do Guincho. Se se virasse era morte certa. Então e as cervejolas, os tremoços, os jogos do Belenenses, as stickadas ao raiar da manhã, as punhetas nos banhos de espuma a pensar nas mamas da Bo Derek?

Felizmente, não era nada disso. Tudo estava sob controlo. Clarimunda veio ao de cima, agarrou-se à borda da prancha, sereia loira de olhos verdes, cuspiu um bocado de água, deu uma gargalhada, e disse para Dick:
— Aposto que isto ainda não te tinha acontecido.
Depois cruzou olhares com Del Mercedes. A Mercedes não era SLK, nem Clarimunda pensou “e se ela o capa?’”. Porque Clarimunda sabia muito bem o que se ia passar. O plano tinha sido esboçado em devido tempo, em terra firme. Pelo menos tão firme como o little dick do senhor Hard, que foi crescendo em dimensão humana à medida que os lábios de seda de Mercedes lhe percorriam o circuito da ponta da cabecinha às bases dos adjuntos.
Dick rendeu-se ao climax dez minutos depois. E deu graças pelo trabalho conjunto das bocas lindas de Mercedes e Clarimunda, duas miúdas com boa boca. Tanto comiam burriés como mamavam nos vigorosos.
O surf era uma modalidade plena de virtudes.





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