NÃO COMI GAJA NENHUMA, MAS DORMI COM O ALVERCA
O primeiro culpado é o Rui Brito. Falo do Rui Brito editor da Polvo, não do Rui Brito que é gerente da Megasex. Por acaso, neste blogue, até tinha mais lógica falar do outro. Mas não. O culpado é o Rui Brito geólogo, editor da Polvo e da Rui Brito Edições.
O gajo desafiou-me para ir a Lagos declamar poemas do “De boas erecções está o Inferno cheio”, na Biblioteca Municipal. E lá fomos. Um ganda êxito. A 4 de Maio de 2007, pela noitinha. Para isto não foi preciso credencial. Bastaram as minhas credenciais como poeta. Mas para os outros acontecimentos já foi preciso credencial.

Em princípios de Julho abalei até Portimão, para a final da Final Four da Liga Europeia de Voleibol (ver www.oprazerdamesa.blogspot.com). O meu amigo Luís Ribeiro, da Federação Portuguesa de Voleibol, mais o Jorge Castro, trataram da coisa em duas penadas. Podem ver a credencial do voleibol, com o João José, capitão da selecção e um ganda bacano, em destaque.

Em Portimão, fui a dois clubes de strip. Na primeira noite, abalancei-me ao “Cocktail”, já perto da Praia da Rocha, gerido por um senhor simpático que esteve emigrado em Paris e se fartou do clima. E lá se radicou em Portimão. O “Cocktail” é um clube simpático. Deram-me uma “borla” na entrada, mas eu não queria incomodar, como dizia o actor Carlos Miguel num magnífico sketch: “Eu não quero é incomodar”.
O senhor do “Cocktail” ficou na conversa comigo e disse que “Sim, senhor”, podia falar do clube à vontade, no blogue. Atão, era publicidade!
E ofereceu-me uma bebida. Já era má educação recusar, mas eu tinha necessidade psicológica de mostrar que não era um tangas qualquer à procura de borlas. E vai daí, num gesto de retribuição, disse ao senhor:
— Então, olhe, deixe-me já pagar uma Touch Dance, que depois escolho uma menina.
— Veja lá, não se sinta obrigado. Tenho muito prazer em oferecer-lhe uma bebida. Mas olhe que realmente a Touch Dance compensa.
Paguei no Multibanco e fui-me sentar. Um bocadinho depois, sentou-se ao pé de mim uma menina romena, morena, de ar doce e cabelo preto curto. Conversa para aqui e para acolá, até chegar o momento da verdade:
— Paga-me uma bebida?
— Não, vamos fazer uma Touch Dance, que eu já paguei e até é melhor para ti.
Ela nem queria acreditar na sorte dela. Cinco minutos e vai buscar, Tibi!
E lá fomos fazer uma Touch Dance, o escorpião zodiacal português e o escorpião romeno. E como Touch Dance é Touch Dance, consolei-me a acariciar-lhe as maminhas naturais, impertinentes (o que se designa por ‘perky’, em inglês). E aquilo deu-me tesão física, o que nem é sempre o caso. Apeteceu-me condecorar o Luisinho, por estar a representar bem as cores nacionais. Mas como as medalhas têm bicos de metal, desisti da ideia.
Como sou um cavalheiro, pergunto sempre até onde posso ir e tocar, mesmo sabendo-se como são as regras da Touch Dance. E ela:
— Podes tocar.
— Queres que te arranhe as costas?
Nesta fase elas ficam sempre desconfiadas. Mas eu sou tão meiguinho como Torquemada ou aqueles senhores tímidos de machadinha da mão e capuzes que faziam a barba aos pescoços das mulheres do Henrique (Em que lugar é que ficou o gajo na última prova? VIII?).
Bem, acabou a Touch Dance e voltei ao balcão, para mais uma dose de conversa sobre o Salão Erótico. Quase ninguém estava a par da coisa, mês e meio antes, em Portimão.
E de Cuba Livre na mão fui-me sentar outra vez. E fiquei deslumbrado com a simpatia e a beleza de uma brasileira. Veio falar comigo, ficámos amigos. A conversa fluiu espectacularmente. E fiz uma Private Dance com ela, que é uma Touch Dance sem touch. Ou seja, só ela é que pode tocar. É uma coisa mais respeitosa. Eu disse uma piada qualquer e ela repreendeu-me amigavelmente:
— Silêncio. Agora é hora de erotismo.
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E era. A miúda é inteligente, culta, cheia de humor. Ficámos depois a falar de escritores e de livros. O Luisinho tornou a erguer uma erecção de homenagem, o que é sempre bem. Arriba, Portugal!
(Na Private Dance, não foi na conversa sobre escritores que tive tesão)
Na noite seguinte fui ao novíssimo Kartier Club, ao pé da Farmácia Carvalho. Clube simpático, com molduras repletas de recortes de jornais antigos, dos tempos dos grande combates de boxe com Joe Louis. Ia na disposição de fazer uma Private Dance, para quebrar o gelo, mas acabei a pagar uma bebida a uma bela cantora brasileira de voz rouca, de enormes dotes físicos e vocais. Não fazia strip nem privates. Olha que galo!
Dei-lhe os contactos do meu amigo Gimba, para o caso de ela vir a Lisboa. A miúda tem qualidades.

Passados quinze dias, apanhei boleia do Pedro Keul (Público), mais o Manel Alverca, e fomos ver o Borg a Vale do Lobo. No Vale do Lobo Grand Champions. O torneio de veteranos organizado por Pedro Frazão que já proporcionou duelos como McEnroe-Marcelo Rios.
Era uma loucura ver os putos encostados à vedação da Sala de Imprensa, a pedir autógrafos ao Borg, depois de ele acabar de falar:
— Please, Borg! Please, Borg!
Uma loucura.

Diga-se de passagem que eu também pedi um autógrafo ao Borg. Ficou ao lado do Ayrton Senna da Silva e do Pelé. O meu livro de autógrafos é valioso, mas só sai de casa de vez em quando. Só pedi mais um autógrafo em Vale do Lobo. Ao Tiago Monteiro, que ficou a fazer companhia, na mesma página, ao Stirling Moss. Cravei o Moss no GP de Portugal de 1987, que cobri para a Gazeta dos Desportos.

Ao final do dia, eu e o Alverca regressávamos a Almancil, para a residencial. Por isso dormi quatro noites com o Alverca. Em camas separadas. Como sou grande amigo do Alverca, a malta fazia mais coisas em conjunto: pequeno-almoço, almoço e boleias para Vale do Lobo, que estava calor para palmilhar 7 quilómetros a patómetro.
Até às quatro da tarde ficávamos a preguiçar por Almancil (ou Almansil, já vi com as duas grafias). Na recta principal da localidade, descobri um clube apetitoso: Coyote Club. Com uma gaja estampada na porta. À noite, resolvi perguntar referência na recepção da residencial.
— Diga-me lá, que tipo de clube é o Coyote?
— Não está fechado? Olhe, mataram lá um homem há poucos meses. Ele tinha ido assassinar outro a tiro num apartamento e depois veio para o Coyote Club. Os amigos do outro chegaram ao Coyote e trespassaram-no com uma catana. Depois foi evacuado de heli para Lisboa.
— E não morreu?
— Morreu. Tinha a catana atravessada de lado a lado.
Eu e o Manel achámos que não valia a pena ir ao Coyote Bar. Até porque provavelmente estava fechado.
No último dia, houve a festa do torneio que o Bruguera ganhou com mais-coisa-menos-coisa ao Fininho (o Fernando Meligeni, que é mesmo um gajo com uma simpatia caralhantíssima). O Alfredo Laranjinha (da Federação Portuguesa de Ténis) agarrou-se à guitarra eléctrica e pôs-se a esgalhar êxitos antigos.
O Manel Perez (O JOGO) pediu-me para eu lhe apresentar ao Unas e eu apresentei o Manel Perez ao Unas.
— Pá, eu adoro declamar-te! — disse o Unas, referindo-se ao seu programa “O show do Unas”, com as minhas “Erecções” mais recentes. Agradeci ao Unas e ficámos ali um cheirinho na conversa. E adivinhem lá quem estava com o Unas? Pouca coisa: só a Sofia Cerveira e a Cláudia Vieira, dois monumentos nacionais.
Lá despachei uns cartões de visita com os blogues e elas riram-se à brava. E depois um gajo quer ser levado a sério!..
Passado um bocado fui ter com o meu amigo Pedro Couceiro, que disse logo para a Sofia Cerveira:
— Cuidado, que ele é perigoso!
Perigoso é o José Sócrates. Eu andei por ali pelos Algarves e nem comi uma chavala, só para amostra.
À noite, findo o torneio, houve uma festa, com banda e tudo. E eu fartei-me de dançar com duas loiraças. Uma irlandesa e outra da Estónia, que era uma brasa que até metia impressão às impressões digitais.
Pensava eu que eram mãe e filha. Ganda otário.
Quando a mais novinha me disse que era da Estónia, respondi muito inocentemente:
— Por acaso, da Estónia só conheço strippers.
Não se pode dizer que tenha sido uma frase inteligente. Mas eu também já estava queimado pela forma como dancei sozinho na relva o último tema: “Born to be wild”. O João Paulino perguntou-me:
— Pá, o que é que te deu para dançar daquela maneira?
Não me deu nada. Sou assim. Um gajo vê a Cláudia Vieira, um gajo vê a Sofia Cerveira, um gajo vê uma irlandesa de sorriso magnífico, um gajo vê a um metro de distância uma menina da Estónia que era uma verdadeira Salambô...e depois um gajo vai para o quarto com o Alverca discutir a entrevista do Pinto da Costa. E o Coyote Bar só está a menos de 500 metros.
Voltámos a Lisboa no outro dia, novamente a bordo do bólide do Pedro Keul. E o Manel Alverca:
— Hei-de sempre vir a este torneio.
Também gostei. A vida não é só comer gajas.
(pelo menos é o que dizem os gajos como eu. Ainda ontem fui interrogado por uma menina que tinha acabado de se vir em cima de mim: porque é que não te vieste também?
Ora bolas! Queixam-se de que não se vêm, um gajo é cavalheiro, um gajo não exige nada. Um gajo até estreia os novos preservativos Private Gold. E elas ainda perguntam: porque é que não te vieste comigo?)
O país está bonito. Estava a precisar de outro Salazar. Ao menos esse sabia o que queria:
— Chupa, Garnier, chupa! Ó Maria, o fricassé já está pronto?
E a D. Maria, solícita:
— Está quase no ponto, Dr. Oliveira. Mal se venha na boca dela a refeição está servida.
(Com esta posso ser alvo a abater por parte da Extrema Direita. Mas pensem só numa coisa: vocês já imaginaram bem o trajecto de uma bala de nove milímetros a atravessar-vos a alma e a extrair-vos as mais enigmáticas confissões? Vão mas é marrar com o Cotrim e o Miguel Rocha, com o Baptista Bastos ou com a Márcia Breia).
Soluções culturais:

Baptista Bastos escreveu o excelente “O cavalo a tinta-da-china”, Cotrim escreveu e Rocha desenhou o multipremiado álbum “Salazar” e Márcia Breia interpretou magnificamente no Maria Matos: “Deus, Pátria, Maria”.
Devo dizer que o Botas não me fez mal nenhum. Mas prefito o goleador “Billy, o Botas”, da BD.
Isto é que é um post à maneira, seus maganos!
Já ando a receber mails com protestos: “Então, o Salão de Portimão?”.
Calma, tudo a seu tempo. Primeiro o génio literário. Depois os Salões Eróticos. O mundo tem uma ordem que deve ser respeitada.
Já falta pouco.

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